segunda-feira

Animalidade e viração no Centro de Arte Hélio Oiticica | Inscrições até 06/06/16


Os encontros acontecerão aos sábados e as vagas são limitadíssimas. Ao enviar o email de inscrição, você receberá um formulário. Preencha com atenção, as informações prestadas serão avaliadas para a pré-seleção. Os pré-selecionados serão convocados para entrevista nos dias 15 e 18 de junho. Os selecionados poderão frequentar as oficinas de manhã: 10h-13h; ou à tarde: 15h-18h. Vai ser bonito!

terça-feira

Debate Prêmio Pipa | 30-09 | 15h


Nessa quarta-feira, no Meuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro participarei de debate ao lado do companheiro de batalha Rafael Zacca para falar sobre coletivos, arte, cidade e convivência. Junto conosco estarão representantes do Museu Bispo do Rosário e da Bienal do Mercosul. Vai ser bonito. É a primeira vez que a Oficina  Experimental de Poesia participa de uma atividade no Museu. 

quarta-feira

20/08/15 | Baião de Spokens do Sesc Ipiranga


Nessa quinta-feira, estarei no Baião de Spokens, em São Paulo, no Sesc Ipiranga. Poema e brinquedo ao lado de Caco Pontes, Sandra X e Paulo Lins.

POESIA AGORA | 22 de junho | Museu da Língua Portuguesa-SP


Na segunda-feira, dia 22 de junho, acontecerá a abertura da exposição Poesia agora no Museu da Língua  Portuguesa, com curadoria de Lucas Viriato, Domingos Guimaraens e Yassu Nogushi. A mostra vem com o intuito de mapear a produção de poetas, coletivos e saraus em atividade principalmente na região sudeste. Meu poema "Autogiro", que faz parte do livro a serpentina nunca se desenrola até o fim no prelo com a 7letras, ganhou roupagem multimídia e faz parte da recolha. Toda semana um sarau se apresenta e seus integrantes conversarão com os presentes. Segue a programação.

- 11 de julho de 2015 > CEP 20.000 – Coordenação Ricardo Chacal (RJ)
- 25 de julho de 2015 > Sarau da Patuá – Coordenação Eduardo Lacerda (SP)
- 01 de agosto de 2015 > ECO – Performances Poéticas – Coordenação Laura Assis (MG)
- 15 de agosto de 2015 > Labirinto Poético — Éber Inácio (RJ) + Monique Nix (RJ)
- 29 de agosto de 2015 > Slam Poesia Agora — Coordenação de Yassu Noguchi (vários estados)
- 05 de setembro de 2015 > Sarau Casa das Rosas – Coordenação Frederico Barbosa (SP)
- 19 de setembro de 2015 > Guardanapos Poéticos — Daniel Viana (SP) +  Poesia Biossonora — Wilmar Silva de Andrade (MG)
- 26 de setembro de 2015 > Espaço Plástico Bolha — Coordenação João Moura Fernandes (RJ)

quinta-feira

Poema IV | O dia em que Bernardo da Mata riu na cadeia de Bauru


Procurei muito esse poema hoje na rede para mostrar ao Xandu dos Ratos, mas não encontrei inteiro. Esse post é só para isso, para arquivá-lo. É para mim dos poemas mais bonitos de Manoel de Barros e com certeza o primeiro que me encantou. Me lembro de ter chegado um dia à Cinelândia, ocupávamos as portas do teatro Dulcina, que há anos estava fechado. Levava impresso o meu livro Lagarta (2008), nunca publicado. Lá encontrei Bia Pimenta, que pediu para ver o encadernado, viu, leu uns três poemas e me disse: Você tem que ler Manoel de Barros. Nunca tinha ouvido falar no homem. Logo depois encontrei dois livros dele no Shopping Chão, na Glória, dois reais cada. Um deles, o Guardador de águas, publicado originalmente em 1989. Esse arquivo tem a ver com o Walter Benjamin: "também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer". É isso, trabalhar os arquivos como quem "desperta no passado as centelhas de esperança".* 

IV

Ele era o que era, esse cara
Tinha ouvido de coisas que ele ajuntava nos bolsos –
por forma que pentes, formigas de barranco, vidrinhos
de guardar moscas, selos, freios enferrujados, etc.
Coisas
Que ele apanhava nas ruínas e nos montes de borra de
mate (nos montes de borra de mate crescem abobreiras
debaixo das abobreiras sapatos e pregos engordam...)
De forma que recolhia coisas de nada, nadeiras, falas
De tontos, libélulas – coisas
Que o ensinavam a ser interior, como silêncio nos
retratos.
Até que de noite pôs uma pedra na cabeça e foi embora.
Estrelas passavam leite nas pedras que carregava.
Vagou transpedregoso anos.
Se soube que atravessou Paris de urina presa.
Estudou anacoreto.
Afez-se com as estrelas e o cheiro de ouro dos
escaravelhos.
Um dia chegou em casa árvore.
Deitou-se na raiz do muro, do mesmo jeito que um rio
fizesse para estar encostado em alguma pedra.
Boca não abriu mais?
Arbora em paredes podres.


O cara da foto é o Bernardo da Mata, é para ele esse poema e muito outros. Manoel de Barros viveu ao lado de Bernardo, essa história e outras podemos conhecer no filme Só dez por cento é mentira  Pedro Cezar. Achei, aqui, essa matéria sobre Manoel e Bernardo, escrita pela Ângela Kempfer e pelo Bosco Martins, vejam só um trecho sobre o tal Roupa-Grande: 

Certa vez, Bernardo foi trabalhar numa lancha de passageiros que fazia trajeto nos rios Paraguai e Taquari. Diversão dele era pescar, escamar peixes e rir. Bernardo ria muito. Ria sozinho. Ria a perder de vista….Quando enjoou da coisa, voltou pro Pantanal. É que na fazenda tinha o cantinho dele em cima de uma árvore. Uma cama de tábuas onde dormia horas, sem nunca despencar.
Da outra vez que Bernardo e o poeta se perderam quase foi para sempre… Foi quando ele se danou a andar pelo norte do Paraná, onde foi lidar com colheita de café. Mas de repente não se teve mais notícias dele…
Depois de longo tempo, toca o telefone no apartamento do poeta no Rio de Janeiro. Era um delegado de policia de Bauru, no estado de São Paulo. “Prendi um rapaz aqui que tá de porre e nunca para de rir”, disse o delegado. “Encontrei no bolso dele um papel todo amassado com esse numero de telefone. Por isso estou ligando”, emendou o policial do outro lado da linha.
“Segura ele ai que estou indo buscá-lo, agora Doutor! Esse rapaz é meu irmão, o Bernardão da Mata!”, exclamou o poeta, do outro lado da linha. Foram dois dias de viagem até reencontrar Bernardo. A viagem era de trem, do Rio a Bauru e de Bauru a Porto Esperança. Depois, de Porto Esperança a Corumbá a viagem de volta era de navio e o restante até a fazenda era feito de lancha.

* trechos retirados de "Sobre o conceito de história" em Mágia e Técnica, Arte e Política  de Walter Benjamin, publicado no Brasil pela Editora Brasiliense, em 1985.
crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana