quarta-feira

E o tanque da nêga?


Agora, essa vida é dura:

Cem anos de reflexão para um milhão de cientista social por aí falarem: põe lá o tanque na casa da nega.
A nega mora em território remanescente de quilombo.
Aí vem outro milhão de cientista social e fala: tira esse tanque, que essa nega lava roupa no rio.
Aí tira o tanque.
Acontece que quando o tanque tava lá, a nega, ou nga, como se diz em Angola, continuou lavando a roupa no rio.
A questão: vai ser o máximo que vamos fazer: uns construindo tanques na casa dos quilombolas, e outros mandando desmanchar? Ou seja, uns tentando incorporar os caras no mundo tanque cão, e outros tentando falar que os caras tem que permanecer como a cultura deles era a três milênios? Orra, cultura não é imóvel. E, orra, que papo é esse de levar progresso?
É isso: essa dureza de ou homogeneizar todo mundo, ou falar que os caras aqui no Brasil são africanos. Como se quisessem e como se pudessem encontrar a África que eles perderam há séculos em algum lugar da África.
E outra, que papo é esse de falar que os caras (índios, quilombola, ribeirinho e tal) tão doidinho para largar o canto deles e cair na aldeia global? Alguém me passa o endereço?
Qual é a questão?



imagem 1: filme Quilombo, de cacá diegues
imagem 2: Tanque para homens, não consegui encontrar o crédito

5 comentários:

Deborah disse...

Oi Heyk. Você é um cara de idéias e polêmicas adoro isso (apesar de as vezes se deixar levar demais pela retórica, se me permite dizer! ;) que já tornou-se até raro! Eu sinto falta, porque nessa minha transição para a literatura, o que me desapontou um pouco é que diversos escritores só falam de dinheiro (alguns falam do que não tem e outros do quanto tem e como ganhar mais!) Enfim, pra te dizer que curti a reflexão, das mais profundas, daquelas que temos que fazer a cada dia! Saudações icamiabas!

Rachel Souza disse...

Tanquinho machista.Ô!

Heyk Pimenta disse...

pÔ, deborah, apesar do papo da retórica, que tento de me levar por ela não, mas como não tenho contraponto de diálogo, faço os dois papéis, brigado pelo comentário. O papo é inventar a coisa, todo dia.

Quem tá se dando bem agora é porque tá falando a língua do tempo. E desse tempo eu não quero falar a língua, pra ele só tenho mordida.

bjocas!

Ah, o tanque é machista e meio.

Priscila Milanez disse...

é o que fazemos,né, construímos pra desconstruir... ou o inverso...de forma torta e arrogante...os sábios detentores da razão científica do laboratório humano...Qta piada se produz sob o discurso do 'entendimento'...Enfim...

Quanto ao tanque? Machista e meio multiplicado por outros tantos...

Pietro Bataglia disse...

a busca pelo autÊntico, pelo original, por Deus, pela perfeição, tá levando muita gente à psicose

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana