quinta-feira

versão 2 | Fim do verão

É isso mesmo, amigos leitores, tentarei assistemática e como der na telhamente apresentar-lhes poemas em processo. A ansiedade de mostrar serviço nos leva à precipitação, mas como o ofício é de construtor serei precipitado sim, porém processual. Publicarei poemas na sua primeira tentativa de prontos e conforme ouvir-lhes, ou sentir desejo, os editarei e os publicarei novamente. Work in progress, trabalhem comigo.
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..a.............As encostas têm apontado as lanças
.................para as constelações de pássaros
.................As revoadas lançam charadas em ponto cruz e
.................os engasgos trazem nuvens quentes pelos bicos
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.................As cores nublam suas malhas,
.................a hora por pudor se castra e
.................os dias já não são tão longos.
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.................O cristo vem pra ser
.................um quadro cinza de
........................mata
........................pedra e
........................turistas cinza.
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.................Os patos
.................seu voo de pneu
.................apagam o rastro que as asas abandona.
.................E já não temos caçadores nem cães, e
.................como eles, temos farejado bifes envenenados
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.................Com as dicas e a fúria dirigida,
.................o verão prega roldanas e se puxa pelas pontas.
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.................Do ventilador virá a poeira e
.................os dias não o alistarão.
.................se tornará o fator vivo
.................da invenção que há nas bandeiras
.................elas se esticarão em chicotadas,
.................como a bandeira falsa
..........................da lua falsa
..........................de um pouso antigo no Arizona.
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.................os feixes macerados
.................nos vácuos do vapor
.................alimentam para os crentes
.................a luz divina em nichos isolados
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.................As lojas se acanham,
.................o funk empalidece e
.................as avenidas vão fermentar cerveja.
.................Seus filhos testam a carga dos balcões
.................vão os aposentando por invalidez
.................O varal também testa sua energia e
.................amontoa roupas esquecidas
.................no que foram os parapeitos de um sonho.
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.................Com as dicas e a fúria dirigida,
.................o verão não se culpa,
.................prega roldanas e contrata elenco
.................para que o puxem pelas pontas.
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2 comentários:

Humberto Fonseca disse...

nada mais a dizer tenho antes do inverno.
belo texto man!!
poesia para gritar!!

Tenório disse...

Talvez seja o seu poema mais belo e mais completo. Brilhante, Pimenta.

Tenório

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana