sábado

Nossa casa

22/06/2013

entulho que produzimos e somos nós
feridos
falhos
carnívoros

**

acordar coberto de poeira
as folhas da suculenta
tentando se virar como baratas
para morar nas frestas da madeira

onde possam brotar

a casa
tenta se esconder entre os monturos
o lodo os vazamentos o assoreamento

os veios fundos por onde enxergamos
os sonhos fundos
que tivemos juntos

**

os espelhos
com reentrâncias
e pontas

legislam
lixam
cavam

o choro
contido
por nossas mãos
de tantos tubos
ocupadas

que se evitam

um choro por
telas
pela morte que plantamos no quarto
nas luminárias apontando

como a lanterna dos fascistas

para nossas caras de suplício
de falta

de tudo que podemos e somos e somos
e que agora não fizemos não fomos

2 comentários:

Rita Barros disse...

Heyk,
Apreciei bastante esse poema.
É denso e fluido e urge com ternura.
Belas imagens concomitam.
Bravo,
Rita

MDansa disse...

viagem de imagens e emoções

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana