Nessa quarta-feira, no Meuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro participarei de debate ao lado do companheiro de batalha Rafael Zacca para falar sobre coletivos, arte, cidade e convivência. Junto conosco estarão representantes do Museu Bispo do Rosário e da Bienal do Mercosul. Vai ser bonito. É a primeira vez que a Oficina Experimental de Poesia participa de uma atividade no Museu.
terça-feira
quarta-feira
20/08/15 | Baião de Spokens do Sesc Ipiranga
Nessa quinta-feira, estarei no Baião de Spokens, em São Paulo, no Sesc Ipiranga. Poema e brinquedo ao lado de Caco Pontes, Sandra X e Paulo Lins.
POESIA AGORA | 22 de junho | Museu da Língua Portuguesa-SP
Na segunda-feira, dia 22 de junho, acontecerá a abertura da exposição Poesia agora no Museu da Língua Portuguesa, com curadoria de Lucas Viriato, Domingos Guimaraens e Yassu Nogushi. A mostra vem com o intuito de mapear a produção de poetas, coletivos e saraus em atividade principalmente na região sudeste. Meu poema "Autogiro", que faz parte do livro a serpentina nunca se desenrola até o fim no prelo com a 7letras, ganhou roupagem multimídia e faz parte da recolha. Toda semana um sarau se apresenta e seus integrantes conversarão com os presentes. Segue a programação.
- 11 de julho de 2015 > CEP 20.000 – Coordenação Ricardo Chacal (RJ)
- 25 de julho de 2015 > Sarau da Patuá – Coordenação Eduardo Lacerda (SP)
- 01 de agosto de 2015 > ECO – Performances Poéticas – Coordenação Laura Assis (MG)
- 15 de agosto de 2015 > Labirinto Poético — Éber Inácio (RJ) + Monique Nix (RJ)
- 29 de agosto de 2015 > Slam Poesia Agora — Coordenação de Yassu Noguchi (vários estados)
- 05 de setembro de 2015 > Sarau Casa das Rosas – Coordenação Frederico Barbosa (SP)
- 19 de setembro de 2015 > Guardanapos Poéticos — Daniel Viana (SP) + Poesia Biossonora — Wilmar Silva de Andrade (MG)
- 26 de setembro de 2015 > Espaço Plástico Bolha — Coordenação João Moura Fernandes (RJ)
quinta-feira
Poema IV | O dia em que Bernardo da Mata riu na cadeia de Bauru
Procurei muito esse poema hoje na rede para mostrar ao Xandu dos Ratos, mas não encontrei inteiro. Esse post é só para isso, para arquivá-lo. É para mim dos poemas mais bonitos de Manoel de Barros e com certeza o primeiro que me encantou. Me lembro de ter chegado um dia à Cinelândia, ocupávamos as portas do teatro Dulcina, que há anos estava fechado. Levava impresso o meu livro Lagarta (2008), nunca publicado. Lá encontrei Bia Pimenta, que pediu para ver o encadernado, viu, leu uns três poemas e me disse: Você tem que ler Manoel de Barros. Nunca tinha ouvido falar no homem. Logo depois encontrei dois livros dele no Shopping Chão, na Glória, dois reais cada. Um deles, o Guardador de águas, publicado originalmente em 1989. Esse arquivo tem a ver com o Walter Benjamin: "também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer". É isso, trabalhar os arquivos como quem "desperta no passado as centelhas de esperança".*
Ele era o que era, esse cara
Tinha ouvido de coisas que ele ajuntava nos bolsos –
por forma que pentes, formigas de barranco, vidrinhos
de guardar moscas, selos, freios enferrujados, etc.
Coisas
Que ele apanhava nas ruínas e nos montes de borra de
mate (nos montes de borra de mate crescem abobreiras
debaixo das abobreiras sapatos e pregos engordam...)
De forma que recolhia coisas de nada, nadeiras, falas
De tontos, libélulas – coisas
Que o ensinavam a ser interior, como silêncio nos
retratos.
Até que de noite pôs uma pedra na cabeça e foi embora.
Estrelas passavam leite nas pedras que carregava.
Vagou transpedregoso anos.
Se soube que atravessou Paris de urina presa.
Estudou anacoreto.
Afez-se com as estrelas e o cheiro de ouro dos
escaravelhos.
Um dia chegou em casa árvore.
Deitou-se na raiz do muro, do mesmo jeito que um rio
fizesse para estar encostado em alguma pedra.
Boca não abriu mais?
Arbora em paredes podres.
O cara da foto é o Bernardo da Mata, é para ele esse poema e muito outros. Manoel de Barros viveu ao lado de Bernardo, essa história e outras podemos conhecer no filme Só dez por cento é mentira Pedro Cezar. Achei, aqui, essa matéria sobre Manoel e Bernardo, escrita pela Ângela Kempfer e pelo Bosco Martins, vejam só um trecho sobre o tal Roupa-Grande:
Certa vez, Bernardo foi trabalhar numa lancha de passageiros que fazia trajeto nos rios Paraguai e Taquari. Diversão dele era pescar, escamar peixes e rir. Bernardo ria muito. Ria sozinho. Ria a perder de vista….Quando enjoou da coisa, voltou pro Pantanal. É que na fazenda tinha o cantinho dele em cima de uma árvore. Uma cama de tábuas onde dormia horas, sem nunca despencar.Da outra vez que Bernardo e o poeta se perderam quase foi para sempre… Foi quando ele se danou a andar pelo norte do Paraná, onde foi lidar com colheita de café. Mas de repente não se teve mais notícias dele…Depois de longo tempo, toca o telefone no apartamento do poeta no Rio de Janeiro. Era um delegado de policia de Bauru, no estado de São Paulo. “Prendi um rapaz aqui que tá de porre e nunca para de rir”, disse o delegado. “Encontrei no bolso dele um papel todo amassado com esse numero de telefone. Por isso estou ligando”, emendou o policial do outro lado da linha.“Segura ele ai que estou indo buscá-lo, agora Doutor! Esse rapaz é meu irmão, o Bernardão da Mata!”, exclamou o poeta, do outro lado da linha. Foram dois dias de viagem até reencontrar Bernardo. A viagem era de trem, do Rio a Bauru e de Bauru a Porto Esperança. Depois, de Porto Esperança a Corumbá a viagem de volta era de navio e o restante até a fazenda era feito de lancha.
* trechos retirados de "Sobre o conceito de história" em Mágia e Técnica, Arte e Política de Walter Benjamin, publicado no Brasil pela Editora Brasiliense, em 1985.
outros em
Bernardo da Mata,
Guardador de Águas,
Manoel de Barros
quarta-feira
Quem tem medo do amigo fake?
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| Philippe Dias, 2015. |
Não sei por que as pessoas têm tanto medo dos perfis falsos. Ninguém mais se lembra dos bate-papos do Uol, Bol, Mirc, Icq? Ali quase ninguém usava seus nomes, muito menos dizia de onde era, valia mesmo a noção de realidade virtual, éramos cretinos na vida e pessoas misteriosas e espirituosas na rede. Conversei com muita gente por aqui desde os 13 anos e aprendi muita coisa. Chegou um momento em que tivemos que expor nossas vidas completamente, nada podia ser escondido das lentes da máquina. A realidade virtual deixou de ser um mundo paralelo para ser o único mundo. E cá estamos confinados.
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| Philippe Dias, 2015. |
Aí, quando aparece um perfil falso é um alvoroço, quem será Mônica Rosa, me perguntam, quem será Bia Frezza, quem serão cada um desses perfis que de repente nos adicionam, têm pouquíssimos amigos e ninguém nunca ouviu falar? Sim, temos todos um saco de plástico amarrado na cintura cheio de neuroses de segurança dentro. A TV diz, o caixa eletrônico diz: cuidado com quem compartilha suas informações. Mas as empresas adoram nossos dados, nos vendem coisas e dizem sempre: personalize seu perfil, ainda faltam 38 itens para você dizer com mais exatidão às pessoas seu verdadeiro eu. E assim tentam me vender sapatos, barcos, chaveiro 24h.
Talvez Mônicas, Bias, Abelhas, e caras brasileiros com o nome em cirílico estejam olhando com atenção para uma coisa que a rede tinha de interessante, eles estão escondendo um tanto, mostrando um tanto, como mágicos, como stripers comedidos. Talvez queiram deixar visível só um pedaço, um fetiche, construir uma rede específica, literatura, podolatria, relacionamentos mal resolvidos. Talvez eles estejam entendendo que liberdade é outra coisa, e estão botando pra quebrar no mistério e negando ao Big Brother as informações tão caras ao mercado. Ok, talvez sejam psicopatas. Ninguém ficaria surpreso, afinal estamos tão preparados para encontrar um, que achamos monótono quando nossa vida não é invadida por algum deles.
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crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana
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