segunda-feira

A Lagarta

O sol de bronze solta gritos compridos fazendo furos redondos nos olhos das nuvens do céu calcinha da tarde. Uma lasca de madeira sêca prosa e amor esconde o buraco porta que aponta pro centro da ponta do nariz do balde de deuses que derreteu na lava mais quente do meio do meio da bolha azul cheia de indústria de carro. A moeda de pedra do ponto g do mar de grude su / com / trans / ex / im (porta) o cânone executivo catedrático curadora cafetina provedor do sim do fim do são. Olho pequeno de quem não sonha. A barriga ronca estronda. Duas gotas de suor caem. Os ajudantes correm tá funcionando. É uma lagarta enorme com o rabo grudado no cu da Terra bombeando energia amarela marrom brilhante para os campos de Osaka Sertãozinho e do Silicon Valley.

7 comentários:

Minina disse...

eu tive d reconstruir a forma. assim como tah ñ passava nada pelo meu processo cerebral!!! haahaha

fiz assim:

O sol de bronze solta gritos

compridos fazendo furos redondos

nos olhos das nuvens do céu calcinha da tarde.

Uma lasca de madeira sêca prosa e amor

esconde o buraco porta

que aponta pro centro da ponta do nariz

do balde de deuses

que derreteu na lava mais quente

do meio do meio da bolha azul

cheia de indústria de carro.

A moeda de pedra do ponto g do mar

de grude su / com / trans / ex / im (porta)

o cânone executivo catedrático curadora cafetina

provedor do sim do fim do são.

Olho pequeno de quem não sonha.

A barriga ronca estronda.

Duas gotas de suor caem.

Os ajudantes correm

tá funcionando.

É uma lagarta enorme

com o rabo grudado no cu da Terra

bombeando energia amarela

marrom brilhante para os campos

de Osaka Sertãozinho e do Silicon Valley.


igual, mas diferente... do jeito q vc pôs vem d uma porrada só... tipo, um soco no estômago. dá pra ficar mais embasbacado, a boca aberta, a mosca entra.

vc sempre fundindo o cerebrilho da gente...

um dia a gente ainda afoga nossa natureza d gente nessa tecologia toda. um dia a gente ainda se faz d "energia amarela marrom brilhante"... só ñ sei se isso vai dar a satisfação q sempre qeremos, e nunca conseguimos com absolutamete nada. nada q se fabriqe com petróleo ou afins.

"O sol de bronze solta gritos compridos fazendo furos redondos nos olhos das nuvens do céu calcinha da tarde." foi o q li e mais lembro. e aí eu lembrei da tecnologia biológica: nanochips enfiados nos nossos buracos da gente, e td cada vez mais lindo: céu calcinha da tarde às janelas mais tranquilas.

enfim, foi isso q li.

um bjo.

Minina disse...

ahhh!

sempre esqeço alguma coisa mais...

adorei a imagem da lagarta... mas sempre acredito assim: a Terra dá o cu, mas dá o troco.

.....

os outros textos, jah respondo.
peraí!

hehehheheh

té!

Minina disse...

eu tava indo pra facu, pingo do meio dia. as borboletas tomaram conta da minha cidade. jah há uns dias havia reparado isso, daqelas borboletas marelinhas q dá em tudo q é mato.

com as borboletas, lembrei da lagarta. e pensei assim: da lagarta surge a borboleta, claro. só q a sua lagarta me fez pensar q dela surgem produtos, tão fugazes qto as borboletas d dois dias q a gente conhece.

e aí eu pensei na força q tem a imagem desta tua lagarta, q ñ põe um ponto final no texto, afinal, o ciclo ñ se encerra na lagarta...

bjo, qerido, té!

isaac disse...

fala heyk ! teus poemas têm a característica de oferecerem milhões de leituras a mais que os demais, eis aí um diferencial pra conquistar o mercado hehehe
o mercado de um soco de letras, o poeta dos versos multi-materiais, originalidade pura.

Felipe Cavalcanti disse...

"É uma lagarta enorme com o rabo grudado no cu da Terra bombeando energia amarela marrom brilhante para os campos de Osaka Sertãozinho e do Silicon Valley."

Que contundência, cara! Eu raramente vi isso numa prosa poética! Esses delírios que alimentam as minhas entranhas... Lembrei de Piva, claro, mas antes me evoca Lautreamont. Vc curte?

Victor Meira disse...

Legal nego, como sempre, uma visão. Uma leitura de figuras que pululam num poleiro urbano. O caos urbano respira no caos figurativo do texto em bloco. Há riqueza na confusão e estimulos que fazem a leitura valer a pena e fazer muitos sentidos, ir por muitas direções, sem perder o eixo.

Gosto e li muitas vezes.

Saudade.

Felipe Cavalcanti disse...

Adorei os poemas que vc deixou comigo no Estilo da Lapa. Tenho lido direto... me dá uma força! Muito bom, delirante e viceral. As coisas deixam de ser coisas e se misturam a tudo... Sim, as geladeras trepam com os guarda-chuvas. Abs!

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana