quinta-feira

Reviro de Terra ou Jogo de águas

Excesso de fome nada de oásis deserto demais nada de nome nada pra quem rasteja o de sempre. Nada demais. Barracão luminárias prateleiras e mais prateleiras vazias fazem entender o vácuo que cobria de ânsia por qualquer coisa. Reviro de terras e Terra. Olho ardido por hábito e lágrima. Ainda aqui não berra o alvo nenhum morto de aforo. É poeira nenhuma idade nem dentro nem fora. Secamos sabendo do ninho desepocado e matento das cobras verdes penduradas. Lembrete de não agarrar em nada. Imãs. Sede. Sombras internas secretam o desassossego em forma de bicho. Enredo puxando susto pra trás do passado. Gente jogando unha com força. Coiote cachorro raposa. Tudo que tem pêlo mostra a cara dura de dente à fora. Coragem cagaço. Barra ferrugem atrás da folha zinco. Acertei o leão cara virada. Choro de gente emblema a tristeza. Vazio e vento depois golpe. Eu e o rei tremendo remorço de perna fina medo de morte. Fraqueza do triste. O cenário fugia. Fugia tudo. Camas e camas cortinas pesadas. O bordado das roupas de denuncia no meio do pátio. A fonte as figuras de água cristais. O leão sua fios de alma. A guarda grita. Meu berro meu. Véu de moléstia resfolêgo. O sultão tem sorriso de gruta. Estende numa almofada o vinho o perdão e uma cimitarra. Pro leão meu soluço de lâmina. É sangue que me machuca. Jogo de palmas toda côrte enfileirada. Meu rosto. Cara piche. Pára todo o céu meu próprio pulso. Rasguei o peito do rei sua juba lama escorrendo no salão. Aos pagantes hino dança e sonho.
(poema veneno, híbrido 2006-2008)

7 comentários:

Flora Hannah disse...

intuitivo!!!!


beijos,
té.

Felipe Cavalcanti disse...

Eu me vejo num transe entre imagens e sinestesias (tato visual?) ao ler teus poemas. Gosto muito.

Criam uma tensão insólita nos sentidos e você se mantém nela em cada poema, o que para mim é bem difícil.

Salgado, às vezes áspero, às vezes liso, quente, frio, seco, úmido... mas salgado, sempre salgado.

No próximo Conecte-se a gente se vê? Abs!

Victor Meira disse...

Exatamente.
É um furacão de figuras.

De certa forma, toda palavra é estímulo.

Aí a coisa oscila entre "um punhado de palavras jogadas" e "poesia". Certo, o critério de criação é bastante interessante e, de certa forma, compõe uma estética pessoal, uma construção pessoal. Mas o leitor tem que requebrar. Incomoda de um jeito não positivo, penso.

Nem sei porquê tô falando isso. Já tô acostumado com isso das tuas poesias.

Essa perde pelo tamanho. A poesia é um caminhão de bagaço, de onde se sente muito forte o cheiro (estímulo das mil figuras) mas quando se espreme, dá um terço de copo de suco.

Volto pra ler mais mil vezes e beber esse suco do qual só senti cheiro, em lidas primeiras.

Bejo no cangóte, lindo.

isaac disse...

tou de acordo com boa parte do comentário do vítor.

o poema tem mudanças de clima que incomodaqm e por isso são boas, e construções enigmáticas, recantos, como " .. o perdão e uma cimitarra".

um tento com o estilo clássico do heyk

Minina disse...

Desejo de tudo e: nada.
Suor e dor e tudo: nada.
O tempo a velhice e: nada.
Saber, conhecer e: nada.
O sangue a pátria e: nada.
A luz o brilho do dia: nada.
Tentar, conceber: nada.
Conceito de amor e: nada.
Revolta e pancada e: nada.
Lamento, tristeza e mais: nada.



sei lá... eu fui lendo e foi saindo isso ai... decidi postar aqi, afinal, é vc o responsável, tb.

acho q as coisas agora é q estão sendo exorcizadas em mim e o sentido q eu dei foi este.

eu vi tudo aqi escrito, no seu texto. daí, saiu. meio q uma síntese, ñ sei se do seu texto, mas da minha leitura (mas ainda falta um pedaço).

claro, acho q tanto 'nada" incomoda. mas é assim, por enquanto, q a coisa se configura. e este é o meu signosignificado, por enquanto, tb, "nada'.

acho q ainda estou em choque, sei lá. ñ sai reviravolta (o q falta na síntese q fiz), como no seu texto, só conformação, cabeça baixa.

a síntese da reviravolta, as imagens destas ações ainda ñ me são possíveis. eu como ação ainda ñ me objetivei reviravolta.

enfim...

um bjo.


saudade do tamanho dum bonde, caramelo.

Priscila Milanez disse...

"ensaísta do sensível"? Será que é pra tanto? Fico lisonjeada com a grandeza da afirmação.Só busco falar da imagem para além de sua superfície. Se com "açucar ou solidão", teu paladar é quem dirá ou diz.
E se te derretes, menino, a aquilo que chamas de 'apelinhos curtos' é válido. Se te toca, e a outros que me leem, então é o que me importa.
E esse teu discurso à lá Durango kid nacional às avessas não me engana, menino! és doce e bobo como poucos... rs
beijos, heik!

Priscila Milanez disse...

me perco na densidade destas tuas linhas desconexas. A ti leio e releio. Numa única vez pouco capto. Aos poucos, tateio o que não entendo pra ver se descubro algo para além da superfície da palavra impressa na tela. Às vezes obtenho êxito - meu êxito - outras não. Daí me lembro que a poesia é pra ser sentida...e o sentir é um entender às avessas e bem mais interessante, não?

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana