segunda-feira

dia criança

hoje é um dia criança
dias criança não pecam
nem imolam

brincam em relógios

e nos vestem de tempo
com calças e camisas, linho do tempo

ouvimos os passos mais macios
e as folhas mais intactas
caramujos nos sorriem
e as baratas viram bolhas

nos dias criança
o mundo dança de máscara
e os motoristas viram maquinistas
de carrossel.

ilhas se encontram e
criam céus de flor

a cabeça dói mais não
e o pescoço é pra cavalo de batalha
na lã que roça toda bochecha rosada

8 comentários:

Leonardo B. disse...

[a nota se entremeia na palavra, como uma falsa pausa que dança, em feitio de sombra, inocente]

um imenso abraço, Heyk

Leonardo B.

cassia disse...

tá lido e degustado. Dia criança. Muito bom, eu sinto profundamente mas nunca chamei assim, é capaz de começar a chamar, já que "os dias criança" são frequentes, bobos e essenciais.

mas não adianta, pra mim barata nunca vira bolha.

Arthus disse...

dom da leveza, de claridade,
sorriso musical das crianças

dia que não acaba
terra do nunca
sempre brincar

ó o beijo do amigo
na inocência da mão boba

Guto Leite disse...

Gostei bastante também! Assim como a Cássia, algua imagens não ressoam tanto na minha leitura, mas outras, em compensação, geram o eco por dentro. Tá aí: dia criança, que beleza! Abraços

Adriana Karnal disse...

"dias criança", pq não pensei nisso antes?

Fernanda Paz disse...

Em dias crianças, entristeço-me porque chegam ao fim.


Parabéns pelo genial escrito!

Victor Meira disse...

Coisa linda, Heyk, fui surpreendido. É singela, universal. Sua irmã não vai achar confusa, tenho certeza.

Dias criança rolam sim. Uns mais fortes que o outro. Tem uns dois que eu lembro como se tivessem sido data festiva.

Rachel Souza disse...

Tenho tido cada dia criança! Fazer feira aos sábados tem tido um gosto bom...

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana