segunda-feira

A floresta

erva daninha na ponta  do dedo
........................se enrosca
...........pelo corpo inteiro
......o dente com folha
a língua é só verde
........é tarde
........cai a pele
........é ranhura e raiz no meu peito

no ombro um tanto de barro
joão-de-barro se apressa no ninho
árvore porque sou o que está na cabeça
e a floresta me tomou dormindo

a família na planta mais milho
o cedro é móvel bonito
o gado pastou todo o mapa

o Brasil é um jardim de eucalipto

*poema de 2007, publicado no meu primeiro livreto, "Neuronóseles", edição Cep20000, ilustração Philippe Dias.

Trouxe ele pra cá porque estamos em eleição presidencial, uma das candidatas está posando com Kátia Abreu e Blairo Maggi, monstros da madeira, da soja, do gado e da moto-serra. O outro quer tirar autonomia da FUNAI para demarcação de terras indígenas em função de litígios com agricultores que alegam habitar legalmente essas terras. Nenhum branco tem terras legais no Brasil, o que muda é a data em que ela foi roubada dos índios de 1500 pra cá.

Um comentário:

cantonholi disse...

passei por aqui, aguardo sua visita: www.micropoetricidade.blogspot.com

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana