segunda-feira

Dia de ser dia completinho (edição 43)

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.......Dia de ser dia completinho

.........dia de calar depois do vento
..........demora
.......vazios
....amontulho.amontulhos
....talhos..... ..corta cria.recolhe
......................... ..e cala

.........pois..vento
......de....do
.
....baru..........vagina
.. viru. lhento....poeira
....
..per
....d
...ã
.....o.........os
.............nh
............i......................tempo
........pass....................do
.......passarão...........clave
..........................na............ção
...................vvolta................. a
......................................... ri
......................................va
...................................

...........Aguardo esquecido de bonito
..........na rua eu mais 3 x cerveja zero
.......................................espero

19/08/08

Caro leitor, se mesmo assim não tiver dado pra ler o poema vai ele aí numa tentativa de ser linear, desculpe o transtorno:

Dia de ser dia completinho

Dia de ser dia completinho
dia de calar depois do vento
demora vazios
amontulho amontulhos talhos

corta cria recolhe
e cala depois do vento
barulhento virulento
vagina poeira

perdão
passinhos passarão
volta na clave do tempo
variação

Aguardo esquecido de bonito
na rua eu mais 3 x cerveja zero
espero

19/08/08

9 comentários:

Guto Leite disse...

Gostei em parte, parceiro. Acho tuas outras experiências de fusão mais bem resolvidas! Não estás só neste estilo, mas também não os curto em Bandeira e Gullar. De toda forma, por crer que vens pra ficar, um suposto equívoco, se é que sei identificar um, se é que existe isso, é mais do que insignificante. Enfim, sigamos arte!

Heyk Pimenta disse...

Conta mais, Gutão.

Guto Leite disse...

Rs... Salve parceiro, o meu problema (e o problema é meu mesmo, hehehe) com essa organização pro poema é mais na recepção. Preciso despender tanta atenção atrás das letras e tudo que perco um certo élan que o poema tem e nos envolve no momento da leitura. Eu escrevi uns poemas assim, mas daí essa crítica, minha mesmo, me fez recuar. Talvez eu não tenha achado o ponto e vc ache, enfim. Tá contado, meu querido?
Grande abraço e versos!

Heyk Pimenta disse...

é só preguiça de montar palavravinha, né safado?

eu entendo.

a grande crítica aos concretos é essa: os caras ficavam brincando de joguinho de armar. o próprio ferreira gullar teria deixado essa viagem de lado por sentir falta de narrar, ela queria contar coisas, com poesia concreta não dava.

porém bato augusto de campos e décião junto com roberto piva e afonso henriques neto figurão do liquidificador.

a imagem e a forma. saca? a metáfora e a metonímia, essa última na tentativa de delegar carater de objeto mesmo à palavra. Nisso eu acredito.

Continuemos, tenho um seminário pra apresentar logo logo.

Victor Meira disse...

Heyk, tira essa "explicação" daí. Tá contando a piada? A poesia arrefece sem o concreto que tá intrínseco nela.

Aliás, a parte mais bonita é a que tá construidinha ali. Parte que sugere vôo, leveza, a própria variação.

Dia de ser completinho é domingo. Pra mim. É aonde a gente se deixa silenciar depois do vento mesmo. É o lugar em que a gente se recupera da mutilação semanal.

Ai, ai... Tá lido também.
Um beijo!

Domingão a gente bebe uma breja paulista.

Heyk Pimenta disse...

Tô explicando não, Victão.

Tô falando de metodologia de trabalho. É isso, arte não é dom, é trabalho, aí conto como trabalho. Não sou igual vó que não conta a receita.
Mas o poema eu não expliquei e nem tem explicação.

E a cerveja é por sua conta e só segunda. acho que só chego seugnda, abração, lindo.

william galdino disse...

Marretas e talhadeiras em mãos pra saudar os concretos, rs.
Fico com o Gullar e com o Serpa que sacaram que se continuassem nessa se esgotariam, partiram pra outros vôos.O Jogo se dá entre o signo e o significado e os Campos? São uns chatos.

Heyk Pimenta disse...

É, acho que os irmãos Campos são chatos mesmo. Mas, desgraçdos, acho que sabem do que falam. Gosto da teoria e da tradução, poema próprio, deles, ligo menos.
De toda forma acredito na junção da experiência e por enquanto só tenho consigo fazer coisas por não negar a priori coisa nenhuma. Tem funcionado.

Lá vamos nós.

Guto Leite disse...

Volto à questão... na forma melhor talhada, gosto mais! Como estava antes, perdi algum tempo ligando as palavras e as letras, parceiro, daí perdi o poema, desassinei o contrato de leitura, rs... Agora gostei! Mas com algo da ressalva no Wil. Não convém mesmo negar, mas mergulhar também traz perigo. A mim, os concretos trouxeram coisas que pra frente se verão melhor... A realidade impressa do poema soa mais do que a disposição das palavras, enfim.
Sigamos arte e boa estada paulistana!

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana