quarta-feira

Entre águas (poema 4)

Idólatras
Doentes
Maridos
Navegou-se quase três minutos atrás de terra

[Num poema de cores
Todo contraste será castigado]

Por desconhecer o que era barco
E o que água
Inexistiram nos corpos do tempo

E cantou-se músicas de bichos
Pra aguar o silêncio

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(4 de 4. Publicado na revista Chute 2)

7 comentários:

l u a . disse...

admito que nunca tive bons olhos pra poesia. eu leio, releio. mas, tem uma magia qualquer que não consigo tocar. de vinícius a maiakovisky, peno em versos.

mas, gosto do tom abstrato. existência, silêncio. gosto de quem costura essas palavras longe daqueles clichês cretinos.

gostei do verso, gostei de prosear.
beijomeu.

Ca:mila disse...

"E cantou-se músicas de bichos"
- ritualistico -

raphael disse...

eai heyk,
legal saber de ti, nao conheco esses autores, mas sim, nisso estou, tentando me imergir: nao acredito o tudo seja o nada, sinto que o tudo eh multiplo, que todos somos ser, eh portanto existir eh se fusionar com esse ser
abracos
raphael

raphael disse...

eu nao entendo muita tua poesia, nao sinto conexao com ela, mas isso eh mais coisa minha que tua. mas sinto que nao existe algo como poeta, que na realidade ser poeta eh algo mais como refletir o que se sente, eh o reflexo de uma percepcao de mundo, portanto a poesia eh mais um resultado de percepcao do ser individualizado imergindo-se nesse ser do que um laço de comunicaçao, por falar em poetas ah pouco cheguei na cidade do lorca, em granada. muita sorte. abracos.

Victor Meira disse...

Eu ia dizer "crime e castigo" ali do primeiro verso (mas não é "crime"). Depois de doentio, a navegação parece três-minutos. Do outro lado, o marinheiro veleja vendado. Mas a coisa é factual e sincera: é curto o esforço perto do que se forma depois.

O colcheteado ali entra de gaiato. E "aguar o silêncio" é legal.

Té, negó.

Guto Leite disse...

Eu gostei muito, poeta! Comecei ressabiado, mas as imagens foram desmontando minhas carrancas. Tuas imagens são lições de poesia, parceiro. Grande abraço e boa semana

Heyk Pimenta disse...

Lá vamos, poetas. Um monte de coisas legais. Daqui vou de Sartre - O Muro. Fica de dica pra quem não viu, é curioso.
Vou de Bauhaus na semana que vem. Sei lá onde chego, de poema, os últimos foram os do Afonso Henriques Neto, aconselho.

Amigos, vamos de poesia e das outras coisas que fizerem cosquinha.

Beijos e outros.

1 - Legal falarem do tom abstrato, busco mesmo.
2 - ritualístico: essa coisa busco e busco que busco. Mas esse verso específico tirei (influenciei-me) partir do Manoel de Barros.
3 - Aguar o silêncio também é Manoel de Barros, influência direta.
4 - e as imagens, quero mesmo. quero elas.

Lá vamos nós. Vamos vamos. Ah, e tô vendo a reforma ortográfica, curiosíssima.

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana