quinta-feira

Parar para arar as nuvens

................I

................Parar para arar as nuvens
................ou pedra entalhando as ondas
................do vidro fosco que é céu

................ou bicho azul rajado branco
................se apagando atrás da fumaça
................cinza dura virando estátua

................ou micose ou ruga da tarde lilás


................II

................Agora peixe magenta
................gordo na água roída
................pipas se fazem anzóis

................mas volta a fumaça preta
................as linhas criam barriga
................e explode o peixe lilás

Um comentário:

Carla Leda Astroflor Amorim disse...

um dos poemas que mais fico em estado de ''asma''poema estupendo! os animais, a fuligem, os ruídos, cúmulos e estratos vai além do lance de descrever, existe neste poema um constante pulso de garimpar a partir da multifacetada poesia. As pipas, em algumas horas na minha (vista) de um ponto mergulhado neste poema, parecem-me agonizantes e ao mesmo tempo comprimidos de diazepam que chovem. Desas(sossego).

crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana