A traineira arrasta o retalho
manta de sol
na lagoa de lata
na restinga rio são Paulo
o brejo das casas
é o mesmo
Meu outono, arrematado
por tijolos incompletos
a linha reta é a regra de
seus balcões de construção
sorveterias
armazéns acolhem
as médias
as médias altas
que aguardam o verão
angústia de tevê
desejo latino
de no mangue
reinventar beverlirrius
o título é um copia e cola da banda Na sala do sino
Rio das Ostras/RJ, à Brenno de Castro, 2010
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terça-feira
haicais dos meses duro
o desempregado
um neurótico de guerra
será um poeta?
**
loco em que desisto
o pódio um banco
onde eu descanso
**
desaprendi os versos
pra chorar só choro
ter febre em tempos de febre
**
e mesmo na coisa
a coisa pode sentir
saudades de si
um neurótico de guerra
será um poeta?
**
loco em que desisto
o pódio um banco
onde eu descanso
**
desaprendi os versos
pra chorar só choro
ter febre em tempos de febre
**
e mesmo na coisa
a coisa pode sentir
saudades de si
quarta-feira
Escorpião chá
.............há
.............no
.............não amor
..................o escorpião chá
..................das calças curtas
..................trota largo
.......................seus gestos justos
.
..........e campeia nomes para si
.............cria seus pais
.....................ele é o outro
.............então não há
.
..........e por não querer ser pista
........................de seu motivo
..................andarilha mofo nas cidades
..................angaria rodas
..................e lambe fino o asfalto
.
....................o capus pra moto
..............engendra no calor
..................................a pele
..........as rodovias da pele
.
..........................[
...................a cada grão
.............mais casta de amor
..........mais velha em estribilhos
..........................]
..........ela craquelando no corpus
.....................................da estação
.
.............sua vida de seriado
..........................escorpião
.............peça em temporada
..........perfila e petala a não palavra
.............a que não quer
................ser pedra posta
.
....................um perfume
..........não silencia
.............no
.............não amor
..................o escorpião chá
..................das calças curtas
..................trota largo
.......................seus gestos justos
.
..........e campeia nomes para si
.............cria seus pais
.....................ele é o outro
.............então não há
.
..........e por não querer ser pista
........................de seu motivo
..................andarilha mofo nas cidades
..................angaria rodas
..................e lambe fino o asfalto
.
....................o capus pra moto
..............engendra no calor
..................................a pele
..........as rodovias da pele
.
..........................[
...................a cada grão
.............mais casta de amor
..........mais velha em estribilhos
..........................]
..........ela craquelando no corpus
.....................................da estação
.
.............sua vida de seriado
..........................escorpião
.............peça em temporada
..........perfila e petala a não palavra
.............a que não quer
................ser pedra posta
.
....................um perfume
..........não silencia
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crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana
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