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quinta-feira

Meu lugar

faz alguns anos que virei seu secretário
no começo queria
ser jogador
de azar

e não encaçapava
não carteava
nem tarô

tentei os golpes
mas virei seu secretário

digo residência oficial do bispo do rio de janeiro
digo casa de aborto feto feliz
digo depósito de óleo de fígado de bacalhau

e desligam
minha pequena crueldade

separo as manchetes
compro bilhetes
invento fofocas sobre a concorrência

assim você viaja em paz
queria mesmo ganhar um milhão

sexta-feira

A cidade amarrada à cintura


rio de janeiro, de 14 de maio
 até 2 de agosto de 2013

I
os dedos nos olhos
apertá-los contra
os seixos do crânio

II
os cabos seguram
suas coxas hirsutas
o peito dos homens

mas a treva já
não se prende às telas
ocupara as ruas

as coxas
chefe das pernas
velas
para o amianto dos dias
revôltas
água sobre os calcanhares
e os cascos
sob palmos e terra

III
concreto ainda
o rubro fino dos ossos

placas contra os acrobatas
artilheiros nas marquises

aqui capinam o asfalto
vão montar campos de orquídeas
com húmus sobre os monturos
amarrá-las com arame

e as suas hastes flexíveis
são enganos à dureza
da coluna que em camadas
se nomeia diapasão
subterrâneo em nossas casas

IV
o inverno seria sempre o mesmo
não fosse o amassar as solas
ao atravessar a passarela
e chegar
ao parque
que farei hoje com mais pesar
levando a cidade demolida
para dentro do museu

à moenda de cidades
que são as maquetes da utopia
à palavra pólvora
vermelha sobre a madeira
e nenhuma janela translúcida
que me permita o aterro
ou aberta
convide o cigarro

as varandas interditas
e a cidade amarrada à cintura
não é possível despejá-la

cidade
colar de cartilagens
cidade
macacos do vício de burroughs
e elefantíase do litoral

sábado

Nossa casa

22/06/2013

entulho que produzimos e somos nós
feridos
falhos
carnívoros

**

acordar coberto de poeira
as folhas da suculenta
tentando se virar como baratas
para morar nas frestas da madeira

onde possam brotar

a casa
tenta se esconder entre os monturos
o lodo os vazamentos o assoreamento

os veios fundos por onde enxergamos
os sonhos fundos
que tivemos juntos

**

os espelhos
já
com reentrâncias
e pontas

legislam
lixam
cavam

o choro
contido
por nossas mãos
de tantos tubos
ocupadas

que se evitam

um choro por
telas
pela morte que plantamos no quarto
nas luminárias apontando

como a lanterna dos fascistas

para nossas caras de suplício
de falta

de tudo que podemos e somos e somos
e que agora não fizemos não fomos

Uma ponte, uma grande ponte*

como extrair da brutalidade dos fatos
esse diagrama do futuro
onde se abre
aquela flor central
Marcelo Ariel

que se passa poeta
adiaste o futuro?
Ferreira Gullar

no gado é que dormimos
e nele que acordamos
Carlos Drummond de Andrade



Hoje houve
um passeio
apinhado de gente
mas
a ilha acabou
e todos
marcharam parados

nas margens nas bordas no limite

apertando os pés
contra a ilha

pra lhes nascerem
asas
ou lama
e areia
virarem chão
batido

e excrescesse
soerguesse
envergasse

por cima da água

aumentasse
e mais
tanto

que a ilha
vendo o chão ir em frente
entre céu e oeste
andasse

fez-se um jardim colorido
pra chamar os marchadores
de volta

eles queriam o continente

serraram os pés de uns tantos

cicatrizava

e a verga tocou o outro lado
nomeou-se ponte
e a marcha atravessou
o mar


Rio de Janeiro, 14 de junho de 2013


em cinco capitais do país o movimento contra o aumento da
 passagem ganha força, é caluniado e sofre repressão severa.
* título apropriado de poema homônimo de José Lezama Lima

quarta-feira

Loteamento

.................................................................tudo aqui é assim: sem chave
..................................................................................intransitivo e civil.

..............................................................................Armando Freitas Filho



a casa perde as esperanças

levaram-lhe
as janelas

.....................................amigo a quem
.....................................no reencontro falta um olho
.....................................ou que enlouquece
.....................................e vive de bombons
.....................................num pano

......................................e quer se desculpar por isso

casa
ferro em maço
sonho
e
trincheira das crianças

já não há casamento
ou dinheiro
agora sabe

carniça
te desmontam de noite
perdeu as carenagens
sozinha onde outros tantos montes de areia

avisavam de outras casas

que não vieram

apressada e pioneira
levaram com marreta
as esquadrias

irmã manca que escondem
só queria ter mãos

para cobrir o rosto

sábado

Densidade 45


Densidade 45

No colchão
filtrado pela capa
ou sorvido em gotas puras
está 10 vezes meu volume

toda a imundície do mundo
acumulando gordura
no canto das coisas

5 anos de mofo e desleixo
5 anos de fervor
5 anos de medo

    - Levanta, Caroll, o colchão pra respirar
    - Vamos comprar um estrado
    - Temos que fazer outra capa

Mas não houve respiro ou estrado ou capa

ele apodreceu
verde sobre marrom
no nosso quarto chinês
seu piso frio e marrom

toda a umidade e samambaias e avencas
do muro de arrimo
em pedra
chupadas a mordidas pelo colchão
que era minha própria cabeça inflada
meus olhos sentidos


hoje
abaulado
no quarto de hóspedes
de pé
na parede
atrás da porta
falta um quina ao colchão

densidade 45 de espuma cinza escura
capa cinza clara
e um remendo cinza ainda mais claro
clareando de dentro em diante
em camadas
como se o tempo pintasse
em mãos alvas
algum envelhecimento
ou apagasse
cada vez mais branco
o amor

quinta-feira

Parar para arar as nuvens

................I

................Parar para arar as nuvens
................ou pedra entalhando as ondas
................do vidro fosco que é céu

................ou bicho azul rajado branco
................se apagando atrás da fumaça
................cinza dura virando estátua

................ou micose ou ruga da tarde lilás


................II

................Agora peixe magenta
................gordo na água roída
................pipas se fazem anzóis

................mas volta a fumaça preta
................as linhas criam barriga
................e explode o peixe lilás

domingo

Edifício


ninguém sabe
qual foi a altura dos tombos

a poeira
pui a pele

de pelo em pelo
as fibras pifam
os tecidos ficarão finos e imprestáveis

a cada inspiração
engolimos a fuligem que somos
a penugem que escapa às colchas e roupas
o carvão que o céu emana e deposita

um pedaço de tudo que existe
estocado
em nossos pulmões e paredes e couro

não o pó que recebe o sopro

mas o pó que com saliva
se faz usina e matéria
de todo mel e ferro
de que somos filhos

e para sempre prenhes

poema parte da vídeo instalação Entranhar de Juliette Yu- Ming

sábado

Sarah

...............................Ela enxerga as cores do halo da lua
...............................por que conhece os agudos da lira
.
............................... cheira à madeira de estaleiro,
............................... e forja setas com o ferro micaélico
............................... mas não solda a flauta
............................... com que compõe
............................... suas lágrimas medievais
.
...............................Ela enxerga as cores dos halos da lua
...............................por que conhece os agudos da lira
.
............................... afia os dentes no esmeril
............................... como o homem leopardo
............................... e compacta o tempo
............................... com o tronco abrupto
.
............................... Ela enxerga as sete cores do halo da lua
............................... por que conhece os agudos da lira
.
............................... não usa sapatos finos
............................... porque sola seu caminho
............................... no infinito dos canteiros
.
............................... Ela enxerga todos os halos da lua
............................... por que conhece os agudos da lira
.
............................... acomoda nas asas do oráculo
............................... vinte filhos, carrega gatos, calos
.
...............................Ela enxerga a lua
............................... e acorda lira
.
............................... o mundo num colar de pérolas tortas
.

quinta-feira

Girávamos
nos carrocéus Vermelho e Estéril.
As orelhas dobradas,
de papel pardo e barbante,
e os embrulhos de palha empalhassem o povo.
Nossos órgãos carregassem os dentes da Mulher Que Canta,
até tornarmo-nos só eu.

E me restou o pescoço
cada vértebra
fundindo o ranço
agudo da medula privada de amor.

O caminho é um pássaro minado
encerrando os bichos na burocracia da casa
apertando a carícia do peito contra a argamassa da língua.

E me restaram os mistérios anônimos da literatura
pois tomaram o estado e fiquei com a mulher,
o próprio suor romântico calado.
pois cargos e os brasões apostaram num jogo de dardos

E me restou a losna, o boldo, o limão,
meu fígado de papel

01/01/2012

o passáro acrílico

.............o pássaro
.............acrílico

.............[o caratonelada
.........................fibroso em bulbos no bico,
.............seu sorriso de sala]

.............conta os fios nas penas
........estima quantos é por dentro
 [atomatado dos gânglios de febre]

..........................se enumera tantos,
..........................tantos:

..........................pássaro cáustico; 
..........................pássaro magnético; 
..........................pássaro vítreo.

.......................................tenta não ser menos
....................................................que um,
....................................................um só,
....................................................sem ninguém de nada

.......................................tão ronronando gato
..........................tão caçando colo nas árvores, no sol
....................................................nos bichos
.......................................no próprio voo, perguntando o ar

o pássaro acrílico é o de qualquer preço
cumpre justo o itinerário das sementes do dente de leão
..........................mas é estéril, não tem o trem de pouso

.......................................mudo

..........................desafinou todas as notas

terça-feira

Viaduto da beneficência

curvo
de ser uma resposta lapidar para os vales,
o viaduto arfa

talhado [
seu calçamento polido nos pés dos transeuntes,
seus parapeitos baixos
.............], não é heroico,
é de menos medo

mas é curvo,
por não ser utópico, concreto armado


o viaduto da beneficência,
senil,
nos braços dos vergalhões,
é curvo,

doente de levar doentes
à encruzilhada íngreme
dos milhares de quartos portugueses de hospital

Ampolas

caros, vai aí áudio de poema novo Ampolas, é só clicar. Para não perdermos o exercício de produzir nós mesmos nosso ritmo, vai também o poema em escrito:


nas ampolas dos monges
na canção entusiasta dos gatos
no túnel das traças nos livros
está o aguardo rançoso dos corpos

são duas romas em chamas
suando seus poros de império

agarrado nos chifres e crinas de si
o fogo é o filho de amantes
forjado nas salas do mito

entre beijos de cinema


no vidro fino
que sonha com seus estilhaços
os monges se guardam
salivando as excrecências das imtempéries da pele

o interior das ampolas narcóticas de descaminhos
tem nas gotas o algodão travesseiro do céu
as bicicletas flutuantes e enfim
as calamidades calcinantes do desejo

no veludo dos seus pés de riacho
os gatos voam os telhados de barro
enquanto o chão suspira a ausência dos pneus
os cacos nos muros tentam barricadas
aos gritos de tristeza incondicionais e altivos
que a lua emite pela boca dos felinos

e assim quer quem ama
corre descascando a tinta nas palavras
avançando os códigos e seus metros cúbicos
fazendo do papel, pó
dos limites do corpo, céu

segunda-feira

Agora

..................hoje não tem beleza nenhuma na casa
..................nem potência nos retalhos da carne

..................você perto
..................do outro lado da linha
..................mas vou de silêncio
..................[como gostaria de querer garantir nenhum pio]
..................engolindo
..................no cansaço do meu último pacote de cigarros
..................papel e fumo
..................me deixando seco e fosco por dentro

..................como, agora que nossos piercings se encaixariam
..................meu peito esticado de burrice
..................no seu peito rosa sem desejo
..................
..................agora que minha casa é casa
..................cabe você mil vezes
..................e tem lugar pras suas crenças nas revistas de decoração
..................
..................agora que eu estou sem um centavo, com cem quilos de coragem
..................e meus lençóis emprestados
..................pra me agradar fazem laços
..................no hexágono exato do quarto -
..................minhas coisas também têm complexo de viralata

..................como, agora que deixei a barba
..................tento arredondar uns quilos
..................juro bicicletas e exercícios

..................agora que o desespero já não é estilo
..................que me fartam tantos quantos te faltam os motivos

..................como, agora que já vão duas estações inteiras
..................de você esgotada na praça

..................como foi resolver me atender,
..................se desculpar frouxa na cara lavada
..................e tocar fresca o domingo?
.
.

quinta-feira

versão 2 | Fim do verão

É isso mesmo, amigos leitores, tentarei assistemática e como der na telhamente apresentar-lhes poemas em processo. A ansiedade de mostrar serviço nos leva à precipitação, mas como o ofício é de construtor serei precipitado sim, porém processual. Publicarei poemas na sua primeira tentativa de prontos e conforme ouvir-lhes, ou sentir desejo, os editarei e os publicarei novamente. Work in progress, trabalhem comigo.
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.
.
..a.............As encostas têm apontado as lanças
.................para as constelações de pássaros
.................As revoadas lançam charadas em ponto cruz e
.................os engasgos trazem nuvens quentes pelos bicos
.
.................As cores nublam suas malhas,
.................a hora por pudor se castra e
.................os dias já não são tão longos.
.
.................O cristo vem pra ser
.................um quadro cinza de
........................mata
........................pedra e
........................turistas cinza.
.
.................Os patos
.................seu voo de pneu
.................apagam o rastro que as asas abandona.
.................E já não temos caçadores nem cães, e
.................como eles, temos farejado bifes envenenados
.
.
.
.................Com as dicas e a fúria dirigida,
.................o verão prega roldanas e se puxa pelas pontas.
.
.
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.................Do ventilador virá a poeira e
.................os dias não o alistarão.
.................se tornará o fator vivo
.................da invenção que há nas bandeiras
.................elas se esticarão em chicotadas,
.................como a bandeira falsa
..........................da lua falsa
..........................de um pouso antigo no Arizona.
.
.................os feixes macerados
.................nos vácuos do vapor
.................alimentam para os crentes
.................a luz divina em nichos isolados
.
.................As lojas se acanham,
.................o funk empalidece e
.................as avenidas vão fermentar cerveja.
.................Seus filhos testam a carga dos balcões
.................vão os aposentando por invalidez
.................O varal também testa sua energia e
.................amontoa roupas esquecidas
.................no que foram os parapeitos de um sonho.
.
.................Com as dicas e a fúria dirigida,
.................o verão não se culpa,
.................prega roldanas e contrata elenco
.................para que o puxem pelas pontas.
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segunda-feira

coragem

........................centuriões tubulares
................................acorrentados
.
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........................eles fazem a guarda e metal
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........................no que os carros japoneses repousam caros
........................atrás da vidraça polida
................................................a sal e
........................................................ódio
.
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........................o petróleo
.
................................não é
................................rosa
................................ou cinza
.
................................CHAMA
.
.
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........................e
........................nem há
........................desperdício ou cansaço
........................nos pobres entulhados
................................no ônibus
................................nos chinelos
.
................................úteis
................................seguem
.
........................o concreto
................................de pódios e
....................................altares
........................que monta no bico da rua
........................o conforto e o mando
................................sem placa
........................da santidade motorizada
.
........................que o cruzamento
........................dos pobres entulhados
................................no ônibus
................................nos chinelos
.
................................úteis
.
................................busca e
...................................segue
.
.
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........................essa alegria enrabada
........................essa covardia luminosa
.
........................são
.
........................a solidão insistente
........................endossada pela lenda dos frutos
................................................ceguetas e
....................................................risonhos
........................que chamamos coragem,
.
........................................a vaidade de se
........................................saber
................................................cor

sexta-feira

Fim do verão

As encostas têm apontado as lanças para as constelações de pássaros. Seus filhos testam a carga dos balcões , vão os aposentando por invalidez. As revoadas lançam charadas em ponto cruz, e a cada engasgo trazem nuvens quentes pelos bicos. Do ventilador virá a poeira, e cada vez menos os dias o alistarão. Promovido, se tornará o fator vivo de alguma bandeira nova que esticará as pontas em chicotadas, como a bandeira falsa da lua falsa de um pouso antigo no deserto do Arizona.

O Sol coleciona agora os já esquecidos feixes, que alimentam para os crentes nichos isolados de luz divina. As cores nublam suas malhas, a hora por pudor se castra e os dias já não são tão longos. O cristo vem pra ser um quadro cinza de mata, pedra e turistas cinza. As lojas se acanham, o funk empalidece e as avenidas vão fermentar cerveja.

Os patos, sendo mais pescoço do que rabo, tendem a voar de costas. E já não temos caçadores nem cães, e como eles, temos farejado bifes envenenados. O varal também testa sua energia e amontoa roupas esquecidas no que foram os parapeitos de um sonho.

Com as dicas e a fúria dirigida, o verão não se culpa pelo embasbacamento, mas prega roldanas e contrata elenco para que o puxem pelas pontas.

terça-feira

"A traineira arrasta"

A traineira arrasta o retalho
manta de sol
na lagoa de lata

na restinga rio são Paulo
o brejo das casas
é o mesmo

Meu outono, arrematado
por tijolos incompletos

a linha reta é a regra de
seus balcões de construção
sorveterias
armazéns acolhem
as médias
as médias altas
que aguardam o verão

angústia de tevê
desejo latino
de no mangue
reinventar beverlirrius


o título é um copia e cola da banda Na sala do sino

Rio das Ostras/RJ, à Brenno de Castro, 2010

haicais dos meses duro

o desempregado
um neurótico de guerra
será um poeta?

**

loco em que desisto
o pódio um banco
onde eu descanso

**

desaprendi os versos
pra chorar só choro
ter febre em tempos de febre

**

e mesmo na coisa
a coisa pode sentir
saudades de si

quarta-feira

Escorpião chá

.............há
.............no
.............não amor
..................o escorpião chá
..................das calças curtas
..................trota largo
.......................seus gestos justos

.
..........e campeia nomes para si
.............cria seus pais
.....................ele é o outro
.............então não há

.
..........e por não querer ser pista
........................de seu motivo
..................andarilha mofo nas cidades
..................angaria rodas
..................e lambe fino o asfalto

.
....................o capus pra moto
..............engendra no calor
..................................a pele
..........as rodovias da pele
.
..........................[
...................a cada grão
.............mais casta de amor
..........mais velha em estribilhos
..........................]
..........ela craquelando no corpus
.....................................da estação
.
.............sua vida de seriado
..........................escorpião
.............peça em temporada

..........perfila e petala a não palavra
.............a que não quer
................ser pedra posta

.
....................um perfume
..........não silencia
crédito do desenho no cabeçalho: dos meses duro, nanquim sobre papel, 2010 Philippe Bacana